Um episódio alarmante de violência doméstica foi registrado na última sexta-feira, dia 21, na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados. Este incidente ressalta a grave realidade do abuso no lar, um problema que aflige muitas famílias e, infelizmente, acontece com frequência em nosso país.
A vítima, que conviveu com o agressor por sete longos anos, conta que o relacionamento foi marcado por um histórico de agressividade por parte do parceiro, que, além disso, faz uso de substâncias entorpecentes. Essa combinação de fatores, que inclui a dependência química e o comportamento agressivo, criou um ambiente de medo e insegurança que culminou na separação que ocorreu há aproximadamente um mês. A dor e o trauma de uma relação abusiva marcam a vida da mulher, que agora busca recuperar sua liberdade e dignidade.
No dia do incidente, a tensão atingiu seu ápice quando o homem foi à residência da ex-companheira buscando um machado. A negativa da mulher em entregar o objeto provocou a fúria do agressor, que, em um ataque de raiva, a empurrou. A vítima perdeu o equilíbrio e caiu sobre uma mureta, resultando em ferimentos no braço e na perna. Uma cena devastadora, ainda mais trágica pelo fato de que a filha do casal, uma pequena de apenas três anos, presenciou tudo isso. A criança, em um ato desesperado, chegou a gritar para que o pai parasse com as agressões, um apelo que ecoa a vulnerabilidade das crianças que se veem no meio de conflitos familiares.
Ao perceber a gravidade da situação, a mulher declarou que acionaria a polícia. Neste momento, um vizinho que assistia à cena tentou intervir, pedindo ao agressor que pusesse um fim às suas ameaças. No entanto, em resposta às tentativas de ajuda, o homem proferiu palavras ameaçadoras, afirmando que, caso medidas protetivas fossem solicitadas, ele incendiaria a casa da ex-companheira. Esse tipo de ameaça não é apenas uma tentativa de controle — é uma evidência da escalada de violência que muitas mulheres enfrentam e do ciclo perigoso que muitas vezes se forma.
Diante do clima de intimidação e da ameaça de represálias, a mulher decidiu deixar o local, buscando segurança para si e para sua filha. Com a ajuda do boletim de ocorrência que foi registrado, ela foi orientada a buscar apoio no Centro de Atendimento à Mulher Vítima de Violência, um serviço essencial que oferece acolhimento e assistência especializada para mulheres que enfrentam situações de abuso. Além disso, ela foi informada sobre os canais de emergência disponíveis para acionar as forças de segurança, como a Polícia Militar (190) e a Guarda Municipal (199).
A orientação que a mulher recebeu é crucial, pois é importante lembrar que ninguém deve enfrentar a violência sozinho. O respaldo jurídico e emocional pode fazer toda a diferença na vida de uma vítima. A mulher também foi aconselhada a procurar assistência jurídica para resolver questões relacionadas à separação e a assegurar seus direitos civis.
A ocorrência foi registrada como ameaça e lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica. A vítima, determinada a preservar sua segurança e a de sua filha, requereu medidas protetivas. Este passo é fundamental para garantir que ela tenha a proteção necessária contra futuros ataques e possa recomeçar sua vida longe do medo e da opressão.
Este caso é um lembrete contundente da necessidade de falar sobre violência doméstica e apoiar aqueles que dela precisam. É vital que a sociedade se una para combater esse mal e que as vítimas saibam que existem recursos e pessoas dispostas a ajudá-las em sua jornada de recuperação e autoafirmação.







