Os métodos de ensino utilizados por um instrutor da Escola de Formação de Vigilantes Defendi, localizada em Campo Grande, geraram uma onda de indignação entre profissionais de segurança. Recentemente, vídeos divulgados publicamente mostram o professor empregando técnicas extremamente questionáveis durante o treinamento de seus alunos. Utilizando uma mangueira, ele jorrava água nos alunos que estavam deitados, colocando-os em situações de afogamento, já que alguns deles recebiam jatos de água que invadiam seu rosto, ouvidos e narinas. Esses registros alarmantes levantaram a discussão sobre a segurança e a ética nas formações de segurança, o que levou à rápida intervenção da Polícia Federal (PF).
A PF, como órgão responsável pela supervisão das atividades de formação de vigilantes e seguranças, imediatamente tomou a decisão de expedir um registro de descredenciamento do professor, resultando em seu banimento das salas de aula. Além disso, a escola também foi autuada e multada pela sua conduta inaceitável, conforme apurado pela reportagem. A repercussão foi rápida, e os graves excessos cometidos nas aulas rapidamente se tornaram tema de debate em várias comunidades de vigilantes profissionais.
Dentro de fóruns e grupos de discussão, muitos agentes de segurança expressaram sua revolta, apontando os métodos adotados pelo instrutor como evidências claras de tortura e abuso. Apesar do clamor por justiça e mudanças, a reportagem encontrou dificuldades em conseguir depoimentos de alguns dos denunciantes, que preferiram permanecer em silêncio diante da situação.
Em resposta à crise, a Escola de Formação de Vigilantes Defendi declarou que “não tem nada a declarar” neste momento, enquanto o professor envolvido, a princípio, não foi localizado para oferecer uma justificativa pela sua abordagem controversa. A falta de transparência por parte da instituição suscita ainda mais preocupações sobre a responsabilidade educacional em campos tão sensíveis.
As instituições do setor, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Segurança Privada (CONTRASP), rapidamente se manifestaram. O órgão repudiou veementemente os “graves e inadmissíveis atos praticados” pelo instrutor, enfatizando que ele expôs os alunos a riscos severos e inaceitáveis. Em declaração oficial, a confederação ressaltou que as imagens que emergiram nas redes sociais revelam não apenas cenas de violência extrema, mas também uma negligência flagrante em relação à segurança dos alunos, colocando em risco suas vidas.
As práticas adotadas pelo instrutor não apenas feriram as normas técnicas e legais que regem a formação na área de segurança, mas também violaram os princípios de dignidade humana. Os membros da CONTRASP afirmam que é inaceitável que uma instituição, cujo papel é formar profissionais de segurança, adote métodos que banalizam a violência, comprometendo a vida e a integridade dos estudantes.
Diante do cenário alarmante, a CONTRASP exige uma investigação minuciosa sobre os fatos e a responsabilização adequada dos envolvidos, tanto em âmbito administrativo quanto judicial. A situação não apenas levanta a questão da eficácia da formação de vigilantes, mas também impulsiona um debate sobre a ética no treinamento de profissionais cuja função é garantir a segurança da população.
Em meio a esse turbilhão, o presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança de Mato Grosso do Sul (SEESVIG/MS), Celso Adriano Gomes da Rocha, também se manifestou, destacando que o sindicato está tomando todas as medidas jurídicas necessárias para impedir que situações semelhantes voltem a ocorrer. No clima tenso que permeia a segurança privada, fica clara a urgência de um aprofundamento nas práticas e procedimentos adotados para a formação de vigilantes, uma vez que a integridade da função depende diretamente da ética empregada nas salas de aula.
Este caso não apenas traz à tona a importância da formação ética e segura para vigilantes, mas também serve como um alerta para a necessidade de supervisão mais rigorosa e de mecanismos que garantam a segurança e o respeito à dignidade nos ambientes de ensino.







