O diagnóstico de Doença Renal Crônica (DRC) é um marco desafiador na vida de muitos pacientes. Essa condição exige um tratamento contínuo e acessível, e quando o acesso à hemodiálise implica em longas viagens e espera por atendimento, a situação se complica ainda mais. Para enfrentar essa realidade, o Governo de Mato Grosso do Sul tem implementado uma estratégia robusta voltada à regionalização do cuidado e expansão dos serviços de Terapia Renal Substitutiva (TRS) através do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Superintendente de Atenção à Saúde, Angélica Segatto Congro, destaca que o atual plano de ação não se limita à ampliação do número de máquinas e clínicas. Ele também visa uma distribuição equilibrada dos atendimentos entre as macrorregiões do estado, priorizando a dignidade dos pacientes e garantindo a eficácia do tratamento. Essa abordagem garante uma resposta mais ágil e assertiva às necessidades locais, permitindo que cada paciente encontre o apoio necessário perto de sua residência.
Com a implementação de incentivos financeiros para os municípios, além de acordos regionais e a previsão de novos serviços até o final de 2026, o trabalho focado na regionalização já está em andamento. A ideia é que nenhum sul-mato-grossense diagnosticado com DRC fique sem o acompanhamento adequado ou tenha que percorrer longas distâncias em busca de tratamento. Esse esforço inclui a criação de uma política pública que integra a Linha de Cuidado da Pessoa com Doença Renal Crônica, projetada para organizar o fluxo assistencial e guiar os pacientes aos serviços corretos conforme a macrorregião de origem. Como consequência, os deslocamentos são reduzidos e o acesso ao tratamento se torna mais viável.
A rede estadual de hemodiálise também passa por reformulações. A Resolução CIB n.º 550, de 9 de dezembro de 2024, formalizou o Plano de Ação Regional que visa expandir a Terapia Renal Substitutiva no estado. As iniciativas programadas para o biênio 2025-2026 contemplam a descentralização e a expansão do atendimento nas regiões, o que é fundamental para atender um público crescente. Estão previstas a ampliação de serviços em municípios como Aquidauana, Coxim, Costa Rica, Bataguassu, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas. Adicionalmente, novos serviços serão implementados em cidades como Maracaju, Jardim e Nova Andradina, com a criação de um novo turno de atendimento em Bataguassu e a habilitação de novas clínicas em Campo Grande.
Essas medidas culminarão em um acréscimo de 98 máquinas de hemodiálise, ampliando a capacidade operativa para 555 unidades. Tal expansão é crucial para assegurar que pacientes renais crônicos tenham acesso a tratamentos adequados e de qualidade em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.
Além disso, a regionalização dos serviços de Terapia Renal Substitutiva permitirá que pacientes recebam encaminhamentos diretos para centros de atendimento em suas próprias regiões, seguindo o que foi pactuado na Linha de Cuidado da Pessoa com Doença Renal Crônica, aprovada pela Resolução nº 69/SES em agosto de 2023. Essa abordagem não apenas diminui as barreiras geográficas, mas também promove um acompanhamento mais contínuo e humanizado dos pacientes.
Outra medida significativa é a criação de incentivos financeiros para apoiar os municípios na oferta e manutenção dos serviços de TRS. Instituída pela Resolução nº 322, essa política pública assegura que tanto os tratamentos de hemodiálise quanto a Diálise Peritoneal Automatizada (DPA) sejam contemplados com recursos adequados. Os valores estabelecidos são de R$ 716,12 mensais por paciente em tratamento com DPA, além de R$ 45,00 por sessão de hemodiálise, com um máximo de 14 sessões mensais.
Para garantir a utilização correta desses recursos financeiros, a Gerência de Atenção à Doença Renal Crônica (GADRC) realiza uma conferência mensal dos dados de produção. Essa vigilância não só assegura uma alocação transparente e eficiente dos incentivos, mas também reforça o compromisso do Governo do Estado com a qualidade do atendimento aos pacientes renais.
Em suma, as iniciativas em Mato Grosso do Sul representam um passo fundamental para garantir que os cidadãos tenham acesso digno e contínuo a tratamentos eficazes. Essa política de incentivo visa não apenas melhorar a saúde dos pacientes, mas também criar uma rede de apoio sólida e sustentável em todo o estado, reduzindo a dependência de centros urbanos e favorecendo um acesso próximo à assistência necessária. Portanto, a regionalização e expansão dos serviços de hemodiálise é uma conquista coletiva que beneficiará a saúde pública e a qualidade de vida dos sul-mato-grossenses.







