Zoneamento agroecológico: onde produzir com segurança em MS

Zoneamento agroecológico: onde produzir com segurança em MS

O zoneamento agroecológico chega como ferramenta decisiva para orientar o uso do solo e a tomada de decisão no campo em Mato Grosso do Sul. Apresentado oficialmente em evento técnico na Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados, o estudo reúne dados que permitem identificar áreas de maior aptidão para agricultura e pecuária, bem como regiões com restrições ambientais.

Levantamento e alcance técnico

O estudo foi elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em parceria com a Embrapa Solos (RJ). Foram coletadas 3,5 mil amostras de solo em aproximadamente três mil pontos do estado, configurando o maior levantamento técnico já realizado sobre o território sul-mato-grossense. Segundo os dados apresentados, 65% do território do estado tem aptidão para atividades agropecuárias; o restante corresponde a áreas de conservação e à planície pantaneira, com uso controlado.

O que o zoneamento agroecológico oferece ao produtor

Com base no levantamento, o zoneamento agroecológico fornece um mapa detalhado das potencialidades e limitações de cada área, permitindo que o produtor planeje onde investir, que culturas implantar e quais práticas adotar para conservar o solo. A informação técnica reduz riscos de degradação, melhora a eficiência do uso de insumos e favorece decisões econômicas e ambientais mais seguras.

O vice-presidente da Assembleia Legislativa e engenheiro agrônomo, deputado Renato Câmara, destacou que o estado passa a ter “o mapa mais completo de solos do país”, o que eleva a precisão do planejamento agrícola. Para parceiros institucionais, a ferramenta deve subsidiar políticas públicas e apoiar a segmentação do agronegócio local.

Ferramentas digitais e acesso público

O acesso às informações será disponibilizado em plataformas digitais integradas e gratuitas. Os dados estarão reunidos no sistema PronaSolos, coordenado pela Embrapa Solos e hospedado no portal do Ministério da Agricultura. Além disso, haverá redirecionamento pelos sites da Semadesc e do Governo do Estado, consulta pela plataforma MS em Mapas e um aplicativo com acesso off-line, pensado para uso direto por técnicos e produtores no campo. A disponibilidade em múltiplas plataformas facilita a adoção e a aplicação prática das recomendações do zoneamento.

Impactos para sustentabilidade e políticas públicas

O zoneamento agroecológico contribui à sustentabilidade ao orientar o uso do solo conforme suas aptidões e limitações. Com isso, evita-se pressão desnecessária sobre áreas frágeis e reduz-se a probabilidade de conflitos entre produção e conservação ambiental. Para gestores públicos, o mapa serve como subsídio técnico para a formulação de incentivos, normas e investimentos direcionados às regiões mais apropriadas para cada atividade.

Harley Nonato, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, reforçou a importância da parceria entre instituições públicas para a construção do estudo e ressaltou que a ferramenta foi pensada para subsidiar o produtor rural com informações aplicáveis no dia a dia.

O presidente da Câmara Municipal de Laguna Carapã, Vander Dosso, também enfatizou o valor do zoneamento para a segmentação do agronegócio no estado e para a articulação entre assembleia, prefeituras e câmaras municipais.

Como usar o zoneamento agroecológico na prática

Produtores e técnicos podem consultar o mapa para:

  • identificar áreas mais adequadas para culturas e pastagens;
  • planejar investimento em correção de solo e conservação;
  • evitar intervenções em áreas de restrição ambiental;
  • estruturar projetos de longo prazo com base em risco reduzido;
  • integrar informações do zoneamento a práticas de boas práticas agrícolas e ambientais.

A disponibilização das informações em aplicativo off-line é um diferencial prático: permite que usuários em áreas rurais sem conexão estável acessem mapas e orientações diretamente no campo.

Conclusão

O zoneamento agroecológico de Mato Grosso do Sul representa avanço técnico e operacional para o setor rural do estado. Ao combinar um levantamento amplo (3,5 mil amostras) com ferramentas digitais acessíveis, o estudo entrega um insumo estratégico para melhorar a produtividade, reduzir riscos ambientais e orientar políticas públicas. A expectativa é de que técnicos e produtores aproveitem o novo mapa para planejar com mais precisão e sustentabilidade, consolidando o desenvolvimento do agronegócio regional sem abrir mão da preservação dos recursos naturais.

Observação: O conteúdo apresenta a síntese das informações técnico-institucionais divulgadas durante a apresentação do estudo e as principais implicações para produção rural e políticas públicas em Mato Grosso do Sul.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Dourados Agora
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