PROTESTO: AUDITORES DA RECEITA ENFRENTAM GREVE E INTENSIFICAM FISCALIZAÇÃO

AUDITORES DA RECEITA EM GREVE AUMENTAM FISCALIZAÇÃO NA FRONTEIRA

Desde novembro do ano passado, auditores-fiscais da Receita Federal estão em greve, uma mobilização que ganhou força e visibilidade em todo o Brasil. Neste dia 23 de janeiro de 2025, esses profissionais intensificam a fiscalização nas unidades aduaneiras de fronteira, especialmente no Mato Grosso do Sul, impactando diretamente o fluxo de cargas e veículos.

A ação chamada “Risco Zero”, coordenada por Gustavo Freire, representante regional do Comando Nacional de Mobilização, tem como objetivo não apenas fiscalizar, mas também chamar a atenção para a situação dos auditores, que se sentem desvalorizados e sem espaço para negociação salarial. Essa iniciativa deve gerar filas significativas nas aduanas, particularmente nas cidades de Corumbá, que faz divisa com a Bolívia, Mundo Novo e Ponta Porã, fronteira com o Paraguai. Em Ponta Porã, a situação é tão crítica que não houve atendimento na manhã de quinta-feira, gerando preocupação entre os comerciantes e consumidores da área.

As medidas de fiscalização adotadas abrangem todas as zonas primárias de controle, com exceção de cargas consideradas críticas, como aquelas que contêm produtos vivos, perecíveis e medicamentos. Isso quer dizer que, enquanto mercadorias de necessidade urgente conseguem passar, outras cargas enfrentarão um processo de verificação muito mais rigoroso. A vistoria será meticulosa e abrangente, aumentando os prazos de liberação de um modo que, em alguns casos, pode levar de horas a dias, dependendo da demanda e volume de mercadorias processadas.

Luiz Felipe Manvailer, presidente da Delegacia Sindical de Mato Grosso do Sul do Sindifisco Nacional, destaca que esse movimento é uma resposta direta à falta de diálogo e negociação com o governo federal. Desde julho de 2024, os auditores têm buscado a atualização de seus salários, mas foram ignorados em suas reivindicações. Ao contrário de outras categorias do serviço público, que conseguiram reajustes chegando a 30%, os auditores-fiscais da Receita se veem como a única classe sem oportunidades de negociação, o que agrava sua insatisfação.

Com a intensificação do movimento grevista, não apenas nas fronteiras, mas também nos aeroportos, uma operação-padrão foi implementada para garantir uma fiscalização mais rigorosa nas bagagens de passageiros. Essa ação tem um efeito direto nas operações cotidianas da Receita Federal, causando atrasos e inconvenientes para cidadãos e profissionais que dependem da agilidade nos processos de despacho aduaneiro.

Essa mobilização traz à tona não apenas a luta pela valorização dos auditores, mas também coloca em evidência a importância do papel que desempenham na segurança e receita do país. Através de seu trabalho, garantem que as leis tributárias e de comércio sejam cumpridas, protegendo a economia nacional e promovendo a concorrência leal.

Com a continuidade dessa greve e a ampliação da fiscalização, a população deve estar atenta, pois as consequências diretas podem afetar não apenas a importação e exportação de produtos, mas também o cotidiano de quem depende desses serviços. Para os cidadãos que irão viajar ou precisam de serviços aduaneiros, a recomendação é que se informem sobre possíveis atrasos e restrições, a fim de evitar imprevistos e frustrações.

Em um cenário em que a insatisfação é crescente, a expectativa é que o governo federal, em breve, tome conhecimento da urgência das demandas dos auditores-fiscais, promovendo o diálogo e chegandos a um acordo que beneficie ambas as partes. Até lá, a luta desses profissionais continua, refletindo uma questão maior sobre valor, respeito e reconhecimento por suas atividades essenciais na estrutura federal.

Fonte: Dourados News
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