A detecção de metanol em bebidas passou a ser mais rápida em São Paulo com a adoção de um novo protocolo operacional pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC). A medida, inédita no país, foi apresentada em 9 de outubro e já permitiu o diagnóstico de 30 casos relacionados à adulteração de bebidas alcoólicas.
O que muda na detecção de metanol em bebidas
O novo protocolo otimiza o fluxo de trabalho pericial em quatro etapas principais: amostragem das garrafas apreendidas; verificação de lacres, selos, embalagens e rótulos pelo Núcleo de Documentoscopia; triagem com equipamento portátil pelo Núcleo de Química; e análise quantitativa por cromatografia gasosa. Essa sequência permite emitir relatórios preliminares rápidos e identificar porcentagens de metanol potencialmente tóxicas, mesmo antes da conclusão do laudo final.
Etapas detalhadas do protocolo
– Amostragem: seleção criteriosa das garrafas apreendidas para representar lotes e formatos distintos.
– Documentoscopia: exame de lacres, selos, rótulos e embalagens, com possibilidade de emissão de laudo em menos de um dia.
– Triagem química portátil: uso de equipamento móvel que localiza metanol e outras substâncias, permitindo analisar bebidas ainda lacradas sem comprometimento imediato da evidência.
– Cromatografia gasosa: separação e quantificação dos elementos químicos para apontar a porcentagem de metanol nas amostras e subsidiar laudos periciais completos.
Essas etapas combinadas possibilitam priorizar análises e acelerar medidas de saúde pública e investigação criminal quando há indícios de contaminação.
Impacto prático e alcance do protocolo
A adoção do protocolo pela SPTC já resultou na identificação de 30 casos que seguiram a cadeia de investigação. Segundo a equipe técnica, os peritos conseguem estimar, mesmo sem laudo final, se a porcentagem de metanol encontrada é suficiente para causar intoxicação em consumidores, o que agiliza ações de recall, apreensão e alertas às autoridades de saúde.
A iniciativa também está sendo repassada a outros estados, ampliando a capacidade nacional de resposta frente à crise sanitária das bebidas adulteradas. A padronização dos procedimentos contribui para uniformizar critérios de coleta, análise e emissão de laudos, reduzindo o tempo entre a apreensão e a comunicação de risco.
Declarações da perícia técnica
A perita Karin Kawakami, assistente técnica da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, informou que o sistema seguiu protocolos internacionais, mas foi aperfeiçoado para dar mais agilidade aos resultados diante da demanda crescente. Ela ressaltou a necessidade de ajustes operacionais para manter precisão sem perder velocidade.
Consequências para a saúde pública
Até o momento, no estado de São Paulo, cinco mortes foram atribuídas à intoxicação por bebidas contaminadas com metanol, e 23 casos de intoxicação foram confirmados. A identificação precoce da presença de metanol em bebidas é crucial para reduzir novos episódios de consumo e orientar tratamentos médicos, já que o reconhecimento rápido da fonte evita exposição contínua da população.
Por que a velocidade na detecção é essencial
A rapidez no diagnóstico permite estabelecer medidas imediatas de controle: bloqueio da distribuição de lotes suspeitos, comunicação a postos de saúde e hospitais para vigilância de sintomas compatíveis com intoxicação por metanol, e apoio às investigações criminais. A combinação entre exames de documentoscopia, triagem portátil e cromatografia gasosa oferece um equilíbrio entre rapidez e confiabilidade técnica.
Próximos passos
A disseminação do protocolo entre estados e a capacitação de equipes serão determinantes para ampliar a rede de resposta. A padronização permite que resultados preliminares orientem ações de proteção à saúde pública enquanto o laudo pericial definitivo é finalizado.
A adoção do novo fluxo operacional demonstra a prioridade dada à proteção da população e à eficiência pericial: com etapas integradas e tecnologias de triagem mais rápidas, a detecção de metanol em bebidas se torna mais ágil, o que pode reduzir riscos e salvar vidas.
Observação: números e procedimentos descritos refletem informações divulgadas pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica sobre o protocolo implementado em São Paulo.







