Seca afeta quase 40% das lavouras de soja e compromete produção em MS

Seca compromete 38% das lavouras de soja em Mato Grosso do Sul

A ausência de chuvas em Mato Grosso do Sul tem gerado um impacto significativo na safra de soja, afetando aproximadamente 1,73 milhão de hectares, o que corresponde a 38% dos 4,5 milhões de hectares cultivados na safra 2024/2025. Essa escassez hídrica tem se mostrado devastadora, e muitos especialistas consideram a quebra na produção como irreversível, principalmente nas regiões sul e na fronteira com o Paraguai.

Através de um boletim recente do Projeto Siga-MS, desenvolvido pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), foi revelado que a baixa precipitação dos últimos meses teve um impacto direto e severo nas lavouras, especialmente nas zonas mais afetadas ao sul do estado. Dados indicam que, em pelo menos 30 municípios, a produtividade se encontra abaixo da média estadual, com Amambai enfrentando o quadro mais crítico. Neste cenário, o município discute até a possibilidade de declarar estado de emergência.

Apesar do quadro alarmante, os técnicos que visitaram as lavouras para coletar dados sobre as condições de desenvolvimento da soja relatam que a média estadual ainda apresenta 61,6% das lavouras em boas condições. No entanto, na mesma análise, ficou claro que nas regiões sul e na fronteira, a proporção de lavouras classificadas como “ruins” e “regulares” supera as que são consideradas “boas”. Essa análise demonstrou a urgência da situação, uma vez que a seca se prolonga.

O boletim trouxe à tona números preocupantes: foram registrados 30 dias de seca moderada, com precipitações variando entre 1,4 mm e 66,6 mm, além de 10 dias de seca severa, quando não houve chuvas na região sul. A maioria das lavouras mais afetadas é composta por aquelas que foram plantadas entre setembro e meados de outubro.

Recentemente, entre os dias 18 e 20 de janeiro de 2025, uma chuva considerável foi observada na região sul, e os agricultores esperam que tais precipitações se tornem frequentes para a manutenção e desenvolvimento das lavouras de soja. Se a previsão se confirmar, pode-se esperar a ocorrência de até 178 mm de chuvas nos próximos 16 dias, uma quantidade que poderia beneficiar muitas lavouras que ainda não estão no período de enchimento de grãos, principalmente as semeadas em outubro e novembro.

Na divisão da região sul, que inclui cidades como Itaporã, Douradina, Dourados e algumas outras, observa-se que 31,1% das lavouras são consideradas boas, 37,7% estão em condição regular e 31,2% apresentam problemas graves. Por outro lado, a região sul-fronteira, que abrange Aral Moreira, Amambai, Coronel Sapucaia e outras localizações, apresenta uma situação ainda mais crítica: 44,6% das lavouras são consideradas ruins.

As lavouras que se enquadram na classificação “ruim” apresentam alta infestação de pragas, falhas no estande de plantas, desfolhamento excessivo e outros sinais de deterioração que podem causar perdas significativas na produtividade. Já aquelas tidas como “regulares” apresentam alguns problemas, mas ainda conseguem garantir uma produção razoável.

Conforme os dados, cerca de 30 municípios estão com lavouras abaixo da produtividade média. Entre eles, destacam-se Amambai, Iguatemi, Tacuru, entre outros, que estão sofrendo com os efeitos adversos da falta de chuva.

Em uma atualização sobre a situação, observou-se que, até o dia 17 de janeiro, 55% das lavouras estavam classificados em estágios fenológicos críticos, com 23% em enchimento de grãos, 29% com grãos cheios e 3% no começo da maturação. É nesse contexto complicado que Amambai discute a decretação de um estado de emergência como resposta à estiagem.

“Para muitos produtores em diferentes regiões, as estimativas de perda variam entre 20% e 60% do potencial produtivo. Estamos em um período decisivo para a cultura da soja em Mato Grosso do Sul. Chuvas nos próximos dias serão cruciais para a recuperação das lavouras”, observa Flavio Aguena, engenheiro agrônomo da Aprosoja/MS.

A Aprosoja, prontamente, se coloca à disposição dos produtores rurais, oferecendo o backup técnico necessário para fundamentar pedidos de emergência. Isso pode respaldar os agricultores na renegociação de dívidas de crédito rural, adaptando prazos e condições de pagamento.

Entretanto, é fundamental entender que essa medida, embora necessária no curto prazo, pode resultar em restrições futuras. Pode aumentar o nível de risco climático para a região, criando barreiras para a obtenção de crédito rural nos próximos períodos. O futuro da soja em Mato Grosso do Sul, portanto, depende não apenas das chuvas a curto prazo, mas também de um planejamento cuidadoso para garantir a sustentabilidade das lavouras e a segurança financeira dos agricultores.

Fonte: Campo Grande News
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