Uma a cada três crianças tem perfil aberto em redes, alerta pesquisa

Uma em cada três crianças tem perfil exposto em redes sociais, diz pesquisa

Recentemente, uma pesquisa abrangente revelou informações preocupantes sobre o uso de redes sociais por crianças e adolescentes no Brasil. Realizada pela Unico, especialista em identidade digital, em parceria com o Instituto de Pesquisas Locomotiva, a pesquisa envolveu 2.006 responsáveis por jovens entre 7 e 17 anos. Os resultados indicam que o comportamento de uma jovem de 12 anos em São Paulo, que mantém seu perfil aberto em plataformas como Instagram e Snapchat, não é uma exceção, mas sim parte de uma tendência alarmante.

Agarra-se à tela do celular, ela vibra de emoção com cada novo seguidor ou interação. À primeira vista, pode parecer uma simples alegria juvenil, mas a realidade é bem mais complexa e preocupante. Sua mãe, a publicitária Suzana Oliveira, está cada vez mais alarmada com a falta de controle sobre a privacidade da filha nas redes sociais. O levantamento sugere que pelo menos uma a cada três contas de crianças e adolescentes têm perfis acessíveis a qualquer pessoa, expondo-os a riscos desnecessários.

Conduzida entre 9 e 24 de outubro de 2024, a pesquisa apontou uma margem de erro de 2,2%. Uma das descobertas mais chocantes foi que quase metade dos jovens não controla quem os segue, interagindo assim com estranhos nas redes sociais. Isso é motivo de preocupação não apenas para mães como Suzana, mas para muitos pais que desejam proteger seus filhos em um mundo digital cada vez mais arriscado.

“Comportamentos no celular estão causando crises de ansiedade, choro e mau humor. Apesar de minha filha praticar esportes regularmente, as redes sociais afetam negativamente sua saúde”, desabafa Suzana. A pressão para manter a presença online e o desejo de conexão têm um custo emocional.

Diana Troper, diretora de proteção de dados na Unico, expressa sua apreensão com a alta porcentagem de crianças que têm perfis abertos. “Essas informações são de pessoas vulneráveis e podem ser utilizadas para fraudes e crimes virtuais”, afirma. Apesar de 89% dos pais acreditarem que estão suficientemente preparados para manter a privacidade de seus filhos, 73% não têm consciência de como suas ações podem levar ao vazamento de dados.

A pesquisa também revelou que 75% das crianças e adolescentes no Brasil possuem perfis em redes sociais. Entre os participantes, 61% compartilham fotos pessoais e familiares, marcam suas localizações e identificam membros da família. Esse tipo de exposição, em muitos casos, é inconsciente, com jovens postando fotos de lugares que frequentam e até mesmo utilizando uniformes escolares.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que qualquer informação disponibilizada publicamente deve ter o consentimento do usuário. Diana alerta: “Fotos e locais frequentes podem criar um mapa de vulnerabilidades, a serem exploradas por pessoas mal-intencionadas”. Portanto, é de suma importância que pais e responsáveis eduquem seus filhos sobre os riscos envolvidos na vida online.

Apesar de a maioria dos adultos (86%) reconhecer a importância de instruir suas crianças sobre proteção de dados, 73% ainda desconhecem os perigos que podem levar a vazamentos. Os riscos incluem abrir links duvidosos, usar computadores públicos, repetir senhas em diferentes contas e instalar aplicativos que não são confiáveis.

“A conscientização e a educação digital são essenciais para proteger as novas gerações no ambiente online”, diz Diana. Ela enfatiza que as contas devem ser mantidas em configurações privadas para minimizar a exposição de dados pessoais.

Na residência de Keila Santana, a política é clara: nada de perfis abertos. Seu filho Pedro, de 13 anos, tem sua atividade online monitorada de perto. Keila restringe o uso das redes sociais a apenas duas horas diárias e não permite que ele faça postagens. Sua preocupação é com a exposição a conteúdos prejudiciais e à pressão para se encaixar em padrões que podem ser prejudiciais à saúde mental.

Luciana Alencar, outra mãe vigilante, também manifesta sua inquietação em relação a seus filhos. “Tenho medo de que eles se tornem replicadores de discursos preconceituosos”. A família de Luciana trabalha ativamente para educá-los sobre a diversidade e a aceitação, evitando que reproduzam informações inadequadas.

Ian, o filho mais velho de Luciana, assegura que sua mãe pode relaxar, já que ele está decidido a passar menos tempo nas redes e se envolver mais em atividades físicas e interações face a face. Essa atitude mostra que, apesar dos desafios que a era digital representa, é possível buscar um equilíbrio saudável, priorizando a interação real em detrimento da virtual.

A reflexão que a pesquisa nos provoca é clara: enquanto as redes sociais oferecem um espaço de conexão e expressão, é fundamental que pais e filhos trabalhem juntos para navegar essas águas turbulentas, garantindo um uso seguro e consciente da tecnologia.

Fonte: Dourados News
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