Corredor Bioceânico de Capricórnio impulsiona MS ao Pacífico

Corredor Bioceânico de Capricórnio impulsiona MS ao Pacífico

O Corredor Bioceânico de Capricórnio esteve no centro das discussões durante a abertura do VII Foro dos Territórios Subnacionais, realizada em San Salvador de Jujuy, na Argentina, em 8 de outubro de 2025. A comitiva do Mato Grosso do Sul participou do encontro para reforçar o papel do estado como elo logístico entre o Brasil e os mercados do Pacífico e para avançar pautas de governança regional, alfândega e desenvolvimento econômico.

Delegação de Mato Grosso do Sul no Foro do Corredor Bioceânico

Representando o governador Eduardo Riedel, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, liderou a delegação sul-mato-grossense. A comitiva foi composta pelo secretário da Semadesc, Jaime Verruck, pela coordenadora do Projeto Corredor Bioceânico de Capricórnio, Danniele Beatriz de Paiva, além de prefeitos, autoridades locais e representantes do setor produtivo. Junto aos governadores da Argentina, do Paraguai e do Chile, e a organismos internacionais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a delegação participou de painéis e mesas de trabalho voltadas à integração regional.

O que está em debate no Corredor Bioceânico

No VII Foro, os principais temas incluíram a coordenação de políticas públicas entre subnacionais, o aperfeiçoamento dos procedimentos aduaneiros, facilitação do comércio e incentivos a pequenos negócios ao longo da rota. O objetivo central das discussões foi consolidar uma rota logística competitiva que ligue o porto de Santos (SP) aos portos chilenos, atravessando o território sul-mato-grossense, o Chaco paraguaio e o norte argentino.

Segundo o vice-governador Barbosinha, “A Rota Bioceânica de Capricórnio é a ligação do Atlântico ao Pacífico. É como se, ao cruzarmos as cordilheiras, divisássemos no Pacífico um mundo novo. E é exatamente essa história que, hoje, aqui em Jujuy, nós estamos construindo”. Em seu discurso, ele reiterou que o projeto representa uma resposta à exclusão histórica de regiões distantes dos centros decisórios do país: “Todos os nossos territórios são distantes dos governos centrais. Essa rota é uma resposta concreta à exclusão histórica que vivemos. Onde ela chega, a transformação acontece. É ponte sendo construída, é asfalto chegando, é sonho sendo viabilizado.”

Governança e integração econômica

O secretário Jaime Verruck destacou o papel de Mato Grosso do Sul como articulador regional e sublinhou a necessidade de manter um nível de governança elevado para o avanço do projeto: “A ideia hoje é dar continuidade ao nível de governança que temos na Rota. Vamos debater principalmente a questão da alfândega, o desenvolvimento de pequenos negócios e a integração econômica. Queremos que o Corredor seja um eixo de desenvolvimento para toda a região”, afirmou.

As discussões no Foro também reforçaram a importância da cooperação técnica entre estados e países para padronizar procedimentos de transporte, reduzir gargalos logísticos em pontos de fronteira e promover investimentos em infraestrutura complementar, como acessos rodoviários, terminais multimodais e soluções intermodais.

Impactos esperados do Corredor Bioceânico

A consolidação do corredor pode ampliar as alternativas de escoamento da produção brasileira, oferecendo rotas mais diretas ao Pacífico e potencialmente reduzindo custos e tempo de transporte para exportadores. Para o Mato Grosso do Sul, a integração na Rota Bioceânica de Capricórnio tem potencial de atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas locais e gerar oportunidades para micro e pequenas empresas que atuam em serviços logísticos, armazenagem e comércio exterior.

Além dos impactos econômicos, o projeto é visto como mecanismo de desenvolvimento territorial, ao promover conectividade entre municípios historicamente periféricos e mercados internacionais. Governos subnacionais envolvidos no corredor destacam a necessidade de políticas de capacitação, financiamento e apoio a empreendimentos locais para que os benefícios se espalhem de forma inclusiva.

Próximos passos e desafios

Entre os próximos passos apontados no Foro estão a definição de cronogramas de trabalho entre os atores envolvidos, a articulação para simplificação aduaneira e o fortalecimento de programas de apoio a pequenos negócios para que se integrem às cadeias de valor internacionais. Os representantes também mencionaram a importância do acompanhamento por instituições multilaterais e do acesso a financiamento técnico e financeiro para viabilizar etapas de infraestrutura e modernização dos processos.

O VII Foro dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio reafirmou, portanto, o compromisso dos atores regionais e internacionais com a construção de uma rota logística que conecte o Atlântico ao Pacífico, com Mato Grosso do Sul atuando como peça-chave no desenho dessa nova malha logística. As decisões tomadas e os acordos firmados nas próximas rodadas de trabalho serão determinantes para transformar o potencial do corredor em resultados efetivos para produtores, empresas e comunidades ao longo do percurso.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Dourados News
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