Corredor Bioceânico: MS lidera integração sul-americana

Corredor Bioceânico: MS lidera integração sul-americana

O corredor bioceânico de Capricórnio recebeu novo impulso com a participação do Governo de Mato Grosso do Sul no VII Foro dos Territórios Subnacionais, realizado em San Salvador de Jujuy, Argentina. A delegação sul-mato-grossense, representada pelo vice-governador José Carlos Barbosa (Barbosinha), participou da assinatura da Ata de Jujuy, que consolida compromissos para acelerar a integração logística e econômica entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Principais medidas aprovadas para o corredor bioceânico

A Ata de Jujuy estabelece ações concretas de governança e operação para o corredor bioceânico. Entre os pontos acordados, destaca-se a harmonização dos horários de funcionamento das alfândegas, que passarão a operar das 8h às 21h, medida que deve reduzir gargalos e aumentar a fluidez do transporte transfronteiriço. Também foi definido o fortalecimento das comissões técnicas responsáveis pelo acompanhamento de projetos de infraestrutura e pela modernização dos sistemas aduaneiros.

Governança e cooperação diplomática

O documento prevê integração com o Grupo Quadripartite das Chancelarias, responsável por alinhar políticas diplomáticas entre os quatro países. A presidência pro tempore do Fórum foi transferida para a Região de Antofagasta, no Chile, que sediará a oitava edição do evento em 2026. Essas decisões reforçam o papel das instâncias subnacionais na interlocução com governos centrais e na implementação do plano diretor do corredor bioceânico.

Impactos logísticos e econômicos para Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul reafirmou seu protagonismo no projeto: o estado concentra parte significativa do fluxo logístico que liga o Brasil ao Pacífico, com o ponto de partida da rota no município de Porto Murtinho. A construção da ponte internacional sobre o Rio Paraguai, ligando Porto Murtinho a Carmelo Peralta (Paraguai), está com mais de 80% das obras concluídas e é apontada como símbolo dessa integração; a previsão de conclusão é o primeiro semestre de 2026. A finalização da infraestrutura deve ampliar a capacidade de escoamento de produtos e reduzir custos logísticos na rota.

Projetos prioritários e modernização aduaneira

Na apresentação do Plano Diretor do Corredor Bioceânico de Capricórnio foram identificados mais de 230 pontos de melhoria nos processos aduaneiros e 100 projetos prioritários de infraestrutura, incluindo rodovias, portos secos e plataformas logísticas. A modernização aduaneira, associada à possível adoção da Convenção TIR — atualmente em tramitação no Senado —, promete maior agilidade e segurança no transporte internacional, beneficiando setores como agricultura, agroindústria, mineração e turismo.

Transparência e planejamento: plataforma digital do corredor bioceânico

O avanço na plataforma digital do corredor cria uma ferramenta de governança que permitirá o compartilhamento de informações, indicadores e planos de ação entre os países e territórios envolvidos. Essa transparência contribui para o acompanhamento de prazos, integração de dados logísticos e melhoria na tomada de decisão, facilitando a priorização de investimentos e a atração de financiamento público e privado.

Declarações e compromissos

Representando o governador Eduardo Riedel, o vice-governador Barbosinha destacou a importância da articulação entre governo, iniciativa privada e universidades para transformar o corredor bioceânico em um vetor de desenvolvimento sustentável. Para Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, a ata aprovada representa um avanço na governança da rota e reforça o papel dos governadores na conexão entre instâncias nacionais e locais.

O anfitrião do evento, governador da Província de Jujuy, Carlos Sadir, ressaltou que o projeto vai além da logística: trata-se de uma aposta pelo desenvolvimento e inclusão social na região, com um pacto de integração entre povos e economias.

Próximos passos e perspectivas

Com a formalização dos compromissos na Ata de Jujuy, os próximos passos incluem a implementação das medidas aduaneiras acordadas, o acompanhamento técnico dos 100 projetos prioritários e a continuidade dos estudos que caracterizam as cadeias produtivas regionais. O foco está em viabilizar ganhos operacionais que tragam competitividade às exportações e promovam o desenvolvimento regional de forma sustentável.

O avanço do corredor bioceânico representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a conectividade entre o Atlântico e o Pacífico ao longo de 3.300 quilômetros, beneficiando produtores, operadores logísticos e comunidades locais. A consolidação das ações acordadas no foro deverá ser acompanhada de perto pelos governos estaduais e parceiros privados para garantir execução efetiva e geração de resultados econômicos e sociais.

Resumo: O VII Foro do Corredor Bioceânico de Capricórnio consolidou medidas de governança, harmonização aduaneira e prioridades de infraestrutura, com protagonismo de Mato Grosso do Sul e metas claras para avançar na integração logística e econômica sul-americana.

Essa matéria usou como fonte uma matéria do site Dourados News
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