Dengue em Dourados voltou a preocupar autoridades e moradores após o Boletim Epidemiológico de Arboviroses da 40ª semana apontar aumento expressivo de notificações e casos confirmados. Entre 28 de setembro e 4 de outubro, o município registrou 1.314 notificações de dengue, com 159 confirmações, 34 internações e 2 óbitos. Diante dessa situação, a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) intensificaram ações de prevenção, vigilância e fiscalização.
O panorama atual da dengue em Dourados
Os números divulgados pela Vigilância Epidemiológica mostram também crescimento de chikungunya no município: 1.202 casos notificados, 137 confirmados, 21 internações e 1 óbito. Segundo a equipe técnica, o aumento de chikungunya é preocupante — foram 30 casos no mesmo período do ano anterior contra 137 agora — e agrava a pressão sobre serviços de saúde locais.
Faixas etárias mais afetadas
Das confirmações de dengue, as faixas etárias entre 10 e 49 anos concentram a maioria dos registros (101 casos). Esse perfil orienta ações de comunicação e de vacinação, já que a estratégia estadual prioriza crianças e adolescentes na faixa de 10 a 14 anos para o esquema vacinal disponível.
Medidas adotadas pelo CCZ e pela Prefeitura
Para enfrentar o surto, o CCZ intensificou visitas domiciliares, nebulizações pontuais quando recomendadas por protocolo técnico e ações de educação em saúde. Até setembro, foram notificadas 5.714 propriedades e aplicadas 1.128 autuações por descumprimento da legislação municipal que exige limpeza de quintais e terrenos baldios.
No início do mês foram publicados Editais de Notificação e Auto de Infração nº 22/2025, convocando proprietários de imóveis em bairros como Jardim Água Boa, Jardim São Pedro, Vila Planalto, Jardim Guaicurus, Parque dos Jequitibás e Jardim Ibirapuera a regularizarem a situação. Os responsáveis têm 10 dias úteis para limpeza dos terrenos e 15 dias úteis para apresentar defesa. O não cumprimento pode resultar em multa conforme a Lei nº 3.965/2016.
Vacinação e cobertura contra dengue
O Estado recebeu 241.030 doses da vacina contra dengue, com 188.875 aplicadas até o momento. Em Dourados, mais de 6 mil crianças e adolescentes já receberam pelo menos uma dose, alcançando cobertura de 31,83% na faixa de 10 a 14 anos. O esquema vacinal recomendado é de duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A vacina continua disponível em todas as unidades de saúde para a faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde.
O que a população deve fazer
- Eliminar água parada em recipientes, pneus, vasos e caixas d’água.
- Manter quintais e terrenos limpos e sem lixo acumulado.
- Usar telas e repelentes, especialmente ao amanhecer e ao entardecer.
- Levar crianças e adolescentes às unidades de saúde para completar o esquema vacinal quando indicado.
- Denunciar imóveis sujos ou criadouros pelo telefone/WhatsApp do CCZ: (67) 2222-2074 no horário de atendimento.
Sintomas e orientações de cuidado
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que, diante de sintomas como febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e articulações, manchas vermelhas ou náuseas, a recomendação é não se automedicar e procurar imediatamente uma unidade de saúde. Profissionais avaliarão sinais de alerta e informarão sobre necessidade de exames, hidratação e, se necessário, internação.
Contexto estadual
No âmbito do Mato Grosso do Sul, o período registra 13.438 casos prováveis de dengue, com 8.172 confirmações e 18 óbitos. Para chikungunya, há 13.552 casos prováveis, 7.430 confirmados e 16 óbitos em dez municípios. Esses dados reforçam a necessidade de ações integradas entre municípios, Estado e população para reduzir a circulação dos arbovírus.
Conclusão: prevenção comunitária é essencial
A situação da dengue em Dourados exige resposta rápida e colaboração da população. Além das ações do poder público — fiscalização, notificações e vacinação —, a eliminação dos criadouros do Aedes aegypti em residências e terrenos privados é a medida mais eficaz para interromper a cadeia de transmissão. Denúncias e a participação ativa dos moradores são fundamentais para reduzir casos, hospitalizações e óbitos.
Se apresentar sintomas, procure uma unidade de saúde. Para denúncias de imóveis com possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, contate o CCZ pelo WhatsApp (67) 2222-2074 durante o horário de atendimento.







