Em um desdobramento impactante ocorrido nesta quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025, o diretor da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), Rangel Schveiger, foi afastado de suas funções e se tornou o mais recente protagonista da operação “Sátrapa”. Essa ação, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), tem como objetivo investigar e desmantelar atividades ilícitas que ocorrem dentro do sistema penitenciário, como homicídios, tráfico de drogas e corrupção envolvendo servidores públicos.
O caso começou a ganhar forma em 2024, quando a Polícia Federal recebeu informações sobre a facilitação da entrada de substâncias ilícitas e celulares na unidade. A investigação revelou um cenário preocupante, no qual um policial penal foi preso em flagrante em julho do mesmo ano, transportando cerca de 1,5 kg de drogas para a penitenciária. Essas descobertas levaram à exigência de uma ação mais rigorosa para confrontar o crime organizado que se implantou na instituição.
A operação “Sátrapa” não apenas resultou na detenção do diretor, mas também envolveu a execução de cinco mandados de busca e apreensão em diversos municípios, incluindo Dourados, Rio Brilhante, Naviraí e até mesmo em Marília, no estado de São Paulo. O alcance da operação reflete a seriedade das acusações e a determinação das forças policiais em restaurar a ordem e a segurança na penitenciária.
Durante as diligências realizadas, a Polícia Federal encontrou evidências que indicam a possível participação de funcionários da penitenciária em homicídios e outras atividades criminosas. “Um interno, suposto integrante de uma organização criminosa, teria dado a ordem para cometer homicídio dentro do presídio”, declarou a PF em um comunicado à imprensa. Esses indícios acenderam um alerta entre as autoridades sobre a profundidade do envolvimento de policiais penais nas atividades criminosas.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) também se manifestou em relação à operação, informando que interventores foram designados para assumir a gestão da penitenciária enquanto Rangel Schveiger permanece afastado. “Estamos comprometidos com a transparência, legalidade e ética na gestão penitenciária. A Agepen se mantém vigilante e está atenta aos desdobramentos dessa operação”, afirmou um representante da agência.
A Penitenciária Estadual de Dourados é conhecida por ser o maior estabelecimento penal de Mato Grosso do Sul, com uma população carcerária estimada em 2,5 mil internos. A magnitude da situação ressalta a necessidade urgente de reformas e adequações no sistema penitenciário para garantir a segurança não apenas dos internos, mas também dos servidores públicos e da sociedade.
O nome da operação, “Sátrapa”, faz referência aos governadores da antiga Pérsia, conhecidos por sua tirania e abuso de poder. A escolha desse termo é simbólica, refletindo os indícios de corrupção e desvio de conduta que permeiam as investigações em curso. Assim como os antigos sátrapas utilizavam seu poder para interesses pessoais, a operação visa desmantelar qualquer conluio que tenha se estabelecido dentro das paredes da prisão.
A Agepen continua a acompanhar de perto os desdobramentos da operação “Sátrapa”, e enfatiza que esclarecimentos sobre a operação devem ser buscados diretamente com a FICCO. Este caso é um alerta para o sistema penal, destacando a necessidade de fiscalização rigorosa e a importância de ações efetivas para coibir a crescente criminalidade dentro das instituições penitenciárias.
Nos próximos dias, a sociedade espera mais esclarecimentos e ações concretas das autoridades competentes para que a confiança no sistema prisional possa ser restaurada e a justiça prevaleça.







