A expectativa de vida do brasileiro atingiu 76,6 anos em 2024, segundo o IBGE, representando um avanço modesto de 2,5 meses em relação a 2023. A expectativa de vida vem crescendo há décadas — são 31,1 anos a mais desde 1940 —, mas o ritmo de melhoria e as diferenças por sexo e faixa etária mostram desafios persistentes para a saúde pública no país.
Expectativa de vida: avanço em 2024
A expectativa de vida aumentou tanto para homens quanto para mulheres: os homens passaram de 73,1 para 73,3 anos, enquanto as mulheres subiram de 79,7 para 79,9 anos. Esse incremento, embora pequeno no curto prazo, integra uma tendência histórica de redução das taxas de mortalidade que elevou substancialmente a longevidade média desde meados do século XX.
Comparação internacional
No ranking global, países como Mônaco (86,5 anos), San Marino (85,8 anos), Hong Kong (85,6 anos), Japão (84,9 anos) e Coreia do Sul (84,4 anos) apresentam as maiores expectativas de vida ao nascer para ambos os sexos, apontando diferenças importantes em fatores socioeconômicos, serviços de saúde e políticas públicas.
Impacto das mortes violentas na expectativa de vida
A análise por faixa etária revela que a sobremortalidade masculina se concentra entre os jovens: em 2024, o risco de morte dos homens é significativamente maior nas idades de 15–19 (índice 3,4), 20–24 (4,1) e 25–29 anos (3,5) em comparação com mulheres das mesmas idades. Em termos práticos, um homem de 19 anos tem 3,4 vezes mais chance de não completar 20 anos do que uma mulher na mesma faixa etária.
Esses números refletem a maior incidência de óbitos por causas externas entre homens jovens — homicídios, acidentes de trânsito e suicídios — e explicam por que a expectativa de vida masculina poderia ser ainda maior se não fosse o impacto dessas mortes violentas sobre a estrutura demográfica.
Fatores ligados à urbanização
O IBGE relaciona esses elevados níveis de mortalidade jovem ao processo acelerado de urbanização e metropolização, que intensificou exposições a violência, deslocamentos e riscos no trânsito. Políticas de segurança, prevenção de acidentes e atenção à saúde mental são medidas fundamentais para reduzir a sobremortalidade e aumentar a expectativa de vida masculina.
Mortalidade infantil e contribuições para a longevidade
A taxa de mortalidade infantil recuou para 12,3 óbitos por mil nascidos vivos em 2024, ante 12,5 em 2023, mantendo a tendência de redução que se iniciou nas décadas passadas. Em 1940, a taxa era de 146,6 por mil, o que evidencia ganhos expressivos em sobrevivência infantil ao longo do tempo.
Entre os fatores que contribuíram para esse recuo estão as campanhas de vacinação, a atenção pré-natal, o incentivo ao aleitamento materno, a atuação de agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil. Melhorias socioeconômicas, aumento da escolaridade e maior acesso a saneamento básico também desempenharam papel relevante na queda da mortalidade infantil, que, por sua vez, eleva a expectativa de vida média da população.
Expectativa de vida na terceira idade
Para quem chega aos 60 anos, a expectativa de vida média aumentou para 22,6 anos adicionais em 2024 (ante 22,5 em 2023), um recorde na série histórica de nove décadas. Em 1940, quem alcançava 60 anos vivia, em média, mais 13,2 anos. A diferença por sexo permanece: homens que chegam aos 60 vivem, em média, mais 20,8 anos, enquanto mulheres vivem mais 24,2 anos.
A expectativa para quem alcança 80 anos também subiu, chegando a mais 9,5 anos para mulheres e 8,3 anos para homens em 2024. Esses números refletem avanços no controle de doenças crônicas, melhor acesso a serviços de saúde e mudanças no estilo de vida, embora desafios como a qualidade do atendimento e desigualdades regionais sigam influenciando a longevidade.
O que significa para políticas públicas
O aumento da expectativa de vida reforça a necessidade de políticas integradas: prevenção da violência e dos acidentes, promoção da saúde mental entre jovens, continuidade das ações de atenção materno-infantil, ampliação da vacinação e investimento em saneamento e educação. Reduzir as desigualdades regionais e fortalecer a rede de atenção à saúde são medidas essenciais para consolidar e acelerar ganhos em longevidade.
Resumo
Em 2024, a expectativa de vida do brasileiro subiu para 76,6 anos, com ganhos para ambos os sexos, queda na mortalidade infantil e persistente sobremortalidade masculina entre jovens. O perfil demográfico aponta avanços importantes, mas também áreas prioritárias para intervenção pública se o objetivo for elevar ainda mais a longevidade média da população.







