O líder de Belarus, Alexander Lukashenko, consolidou ainda mais seu poder ao vencer as eleições presidenciais, estendendo seu governo por mais 31 anos. A vitória, que foi anunciada com 86,8% dos votos, foi rejeitada por vários governos ocidentais, que questionaram a legitimidade do processo eleitoral, considerando-o não livre e justo. Os resultados preliminares, divulgados na manhã desta segunda-feira (27), foram anunciados pelo chefe da Comissão Eleitoral Central, Igor Karpenko, em uma coletiva de imprensa que ecoou a narrativa da mídia estatal russa.
Desde que assumiu a liderança em 1994, Lukashenko tem se visto cada vez mais no alvo de críticas internacionais. “Vocês podem parabenizar a República de Belarus, nós elegemos um presidente”, declarou Karpenko, mas figuras políticas de renome na Europa rapidamente destacaram que a votação foi marcada por várias irregularidades. A falta de um ambiente democrático, combinada com a proibição da mídia independente e a repressão a vozes opositoras, evidencia um quadro sombrio da política bielorrussa.
A ministra das Relações Exteriores alemã, Annalena Baerbock, enfatizou a desilusão em relação ao processo eleitoral: “O povo de Belarus não teve escolha. É um dia amargo para todos que anseiam por liberdade e democracia”. A situação foi ainda mais destacada pelo ministro polonês, Radosław Sikorski, que se mostrou cético em relação à ideia de que apenas 87,6% do eleitorado apoiava Lukashenko, questionando onde os que não votavam estariam — insinuando que muitos estavam presos.
Lukashenko, que frequentemente defende sua posição com uma retórica desafiadora, fez declarações emblemáticas ao afirmar que seus opositores “escolheram” seu destino, descartando a responsabilidade por suas penalizações e alegando não ter expulsado ninguém. Essa abordagem evidência uma estratégia deliberada de deslegitimar a oposição e reforçar sua posição autoritária.
As reações internacionais foram imediatas. Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos não reconheceram Lukashenko como o líder legítimo de Belarus desde os tumultuados eventos de 2020, quando Lukashenko foi acusado de utilizar forças de segurança para reprimir os protestos decorrentes de alegações de fraude eleitoral. Um número alarmante de mais de 1.250 prisioneiros políticos é atualmente uma triste realidade no país, segundo a organização de direitos humanos Viasna, que foi bani como uma entidade “extremista”.
No entanto, a administração de Lukashenko fez certos gestos, como a libertação de mais de 250 prisioneiros no ano passado, apresentando-os como atos humanitários. Essa ação, embora vista por alguns como uma tentativa de suavizar sua imagem no Ocidente, foi rapidamente contestada por observadores internacionais, que permanecem céticos sobre a genuinidade deste gesto. As declarações de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, sobre a libertação unilateral de uma cidadã americana apenas ressaltaram as complexidades das relações entre Belarus e o Ocidente.
Ademais, Lukashenko enfrenta a dura realidade de um ambiente político em mudança. A falta de um desafio significativo por parte de outros candidatos na cédula chama a atenção sobre a verdadeira natureza do sistema eleitoral bielorrusso. Ele deve agora navegar em um mar de tensões e incertezas, buscando equilibrar suas relações com a Rússia, enquanto lida com as crescentes pressões e possíveis sanções do Ocidente.
Com a Rússia, Lukashenko se tornou um aliado ainda mais próximo durante o conflito na Ucrânia, oferecendo seu território como suporte às forças invasoras. Agora, com a possibilidade de negociações para o encerramento do conflito, ele declara ver “luz no fim do túnel”. No entanto, a pergunta que paira no ar é: até onde isso será suficiente para restaurar sua legitimidade diante do público e da comunidade internacional?
Lukashenko continua a afirmar que não se arrependeu de apoiar Putin na guerra, uma postura que revela não apenas sua aliança com a Rússia, mas também uma teimosa resistência a qualquer mudança que possa ameaçar seu regime. A dinâmica política em Belarus, portanto, permanece volátil, à espera de desenvolvimentos que possam mudar o curso da história do país e de seu povo.







