Miguel Ángel Russo morreu nesta quarta-feira, 8 de outubro de 2025, aos 69 anos, em decorrência de complicações relacionadas a um câncer de próstata. O treinador argentino, que comandava o Boca Juniors no ciclo iniciado em maio deste ano, estava afastado das partidas e internado em sua casa quando seu quadro se agravou.
Miguel Ángel Russo: trajetória como jogador e treinador
Como jogador, Miguel Ángel Russo foi um volante de destaque que atuou exclusivamente pelo Estudiantes entre 1975 e 1988. Pelo clube, conquistou o bicampeonato argentino em 1982 e 1983. Russo também vestiu a camisa da seleção argentina em 17 partidas e participou das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1986, perdendo a vaga no elenco final por conta de uma lesão.
A carreira de técnico de Miguel Ángel Russo começou em 1989, no Lanús. Ao longo de mais de três décadas, dirigiu ao menos 16 equipes e colecionou títulos em diferentes divisões. Conquistou o título da segunda divisão com o Lanús em 1992, repetiu o feito com o Estudiantes em 1995 e levou o Rosario Central à Série B em 2013. Na primeira divisão argentina, Russo foi campeão com o Vélez Sarsfield em 2005 e teve destaque histórico ao conduzir o Boca Juniors à conquista da Copa Libertadores em 2007, título que até então permanecia como a última Libertadores do clube.
Além disso, Miguel Ángel Russo acumula passagens por clubes importantes do futebol sul-americano: dirigiu o Universidad de Chile (Chile), Millonarios (Colômbia) — onde superou um câncer em 2017 — Alianza Lima (Peru) e Cerro Porteño (Paraguai). Sua carreira também inclui experiências fora da América do Sul, com trabalhos no Salamanca (Espanha), Morelia (México) e Al-Nassr (Arábia Saudita). No Boca, além do título continental em 2007, teve outras duas passagens: 2020–2021, quando conquistou o campeonato argentino 2020/21 e a Copa da Liga Profissional de 2020, e o ciclo atual, iniciado em maio de 2025.
Problemas de saúde e últimos dias de Miguel Ángel Russo
Miguel Ángel Russo havia enfrentado um câncer de próstata em 2017, quando treinava o Millonarios, e na ocasião chegou a superar a doença. Em setembro de 2025, voltou a apresentar complicações de saúde: foi internado por uma infecção urinária e, posteriormente, optou por permanecer em tratamento em casa. O clube decidiu afastá-lo das atividades por conta da piora no quadro clínico, enquanto a comissão técnica seguia com o trabalho no dia a dia da equipe.
A notícia do falecimento ocorreu após sequência de cuidados médicos e acompanhamento familiar. Familiares e o clube receberam manifestações de apoio de jogadores, dirigentes e torcedores. Segundo relatos, o Boca Juniors ofereceu o estádio La Bombonera para o velório, medida que reforçou a relação de apreço entre o treinador e a instituição.
Homenagens e repercussão
As homenagens a Miguel Ángel Russo foram imediatas. Em Miami, onde a seleção argentina se preparava para um amistoso contra a Venezuela, os jogadores realizaram um minuto de silêncio antes do treino em sinal de respeito ao técnico. Nas redes sociais, o Boca Juniors divulgou nota oficial lamentando profundamente a perda: o clube destacou que Russo deixa uma marca inapagável e o considerou um exemplo de alegria, cordialidade e esforço.
Após a vitória do Boca por 5 a 0 sobre o Newell’s Old Boys, o capitão Leandro Paredes, que é campeão do mundo com a Argentina e que havia dedicado a vitória a Russo, comentou sobre a situação do treinador, enfatizando a importância do técnico para o grupo e enviando força à família.
Legado de Miguel Ángel Russo
O legado de Miguel Ángel Russo inclui conquistas nacionais e internacionais e o respeito de diferentes gerações de jogadores e torcedores. Seu estilo e liderança marcaram equipes na Argentina e no exterior. Como treinador campeão da Copa Libertadores e vencedor de campeonatos nacionais e de acesso, Russo deixa uma trajetória reconhecida pelo sucesso e pela capacidade de formar grupos competitivos.
O que muda no Boca Juniors
Com a perda de Miguel Ángel Russo, o Boca Juniors terá de reorganizar a comissão técnica e acompanhar as decisões administrativas e esportivas para o restante da temporada. Além do impacto imediato dentro do clube, a morte do treinador repercute no futebol argentino e entre os ex-companheiros e clubes pelos quais passou.
Miguel Ángel Russo será lembrado não apenas pelos títulos, mas também pela relação próxima com jogadores e pela passagem marcante em momentos decisivos do futebol sul-americano. O trânsito de mensagens de pesar e as iniciativas de clubes e seleções demonstram a dimensão do sentimento de perda no ambiente do futebol.
Resumo: Miguel Ángel Russo, técnico do Boca Juniors, morreu aos 69 anos por complicações de câncer de próstata. Figura central na história recente do Boca, venceu a Libertadores de 2007 e deixou legado em diversos clubes da América e da Europa. Homenagens e apoio à família foram registrados nas redes e em ações do clube.







