A Câmara Municipal de Ponta Porã, sob a presidência de Agnaldo Pereira Lima, conhecido como ‘Miudinho’, encontra-se em meio a uma série de questões jurídicas que levantam preocupações sobre a administração pública e as finanças do parlamentar. Recentemente, um veículo de sua propriedade, um Citroen C3, tornou-se alvo de um mandado de apreensão judicial devido a uma dívida de R$ 61.039,77 com o Banco Volkswagen. A situação gerou polêmica e questionamentos sobre a integridade de sua gestão.
Segundo documentos judiciais, o oficial de Justiça responsável pela execução do mandado se dirigiu à residência de Miudinho, onde foi informado pelo próprio vereador que o carro já havia sido vendido a um terceiro, cujo endereço não soube fornecer. A declaração do vereador, registrada na resposta enviada ao juiz, gerou mais questionamentos sobre a transparência em relação a suas obrigações financeiras.
Esta não é a primeira vez que Miudinho se vê em uma situação delicada em relação às suas finanças pessoais. O vereador é alvo de duas ações de execução que somam quase R$ 760 mil em dívidas com instituições financeiras. Uma dessas ações é relacionada a um empréstimo feito em 2014 junto ao Banco do Brasil, no valor de R$ 148.551,40, que não foi pago conforme acordado. O banco, em resposta, pleiteou judicialmente a recuperação do montante devido, acrescido de juros e correções, resultando em uma dívida total de R$ 699,6 mil.
A juíza Tatiana Decarli, responsável pelo caso, determinou recentemente o bloqueio de valores nas contas bancárias do vereador e de sua empresa, a Walla Fast Food Alimentação Ltda. Entretanto, um levantamento realizado revelou a existência de R$ 80.716,25 em uma das contas de Miudinho, enquanto a conta da empresa não apresentava saldo.
O cenário financeiro de Miudinho levanta questões sobre a responsabilidade fiscal de um servidor público e a importância da transparência na gestão de suas finanças pessoais. Sua ausência de resposta a diversos questionamentos da imprensa também contribui para um clima de incerteza em relação a sua capacidade de gerenciar bien e eticamente seus negócios como um representante público.
Além de suas dificuldades financeiras, também é essencial mencionar o contexto do contrato firmado entre a Prefeitura de Ponta Porã e o Laboratório Central Ltda, pertencente a seu filho, Agson Tiago Jahel Lima. Através desse contrato de R$ 5,4 milhões, o laboratório seria responsável por prestar serviços de exames ao município. A contratação, entretanto, foi realizada sem a necessidade de licitação, por meio de um processo de inexigibilidade, o que gerou desconfiança sobre a possível acusação de nepotismo.
Não obstante, após problemas de descumprimento de cláusulas contratuais, a Prefeitura rescindiu unilateralmente o contrato com o laboratório, um passo que reforça as críticas à gestão familiar e à proximidade entre Miudinho e as decisões administrativas na cidade. O prefeito Eduardo Campos garantiu que a contratação foi feita seguindo as normas da antiga lei de licitações, que não previa restrições à participação de parentes de vereadores em processos licitatórios.
Miudinho, que iniciou sua trajetória política em 2008, já assumiu a presidência da Câmara em outras ocasiões e agora, após uma mudança partidária para o PSDB, foi novamente eleito para liderar o legislativo local. Sua trajetória revela um político resiliente, mas as recentes complicações financeiras e jurídicas em que se envolve podem colocar em risco sua credibilidade e eficácia como líder.
Neste contexto, a expectativa da população de Ponta Porã é que o vereador e presidente da Câmara se manifeste a respeito das ações judiciais que corrivelmente pesam sobre si, bem como sobre as alegações envolvendo seu filho e o contrato assinando com a prefeitura. A comunidade aguarda, também, um compromisso firme em relação à transparência e à responsabilidade que devem pautar a administração pública. A luta pela clareza nas contas e a correta aplicação dos recursos, especialmente em tempos onde a confiança no serviço público é essencial, se torna uma prioridade para a população.







