A taxa turística de Bonito, instituída como Taxa de Conservação Ambiental (TCA) e prevista para vigorar a partir de 20 de dezembro a R$ 15,00 por pessoa ao dia, provocou reação imediata do setor turístico, empresários e moradores. A medida, editada por decreto e anunciada de surpresa, chegou em um momento de tensão após a deflagração da Operação “Águas Turvas” pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, levantando desconfiança sobre o real propósito da cobrança.
Reação à taxa turística de Bonito
O anúncio da taxa turística de Bonito desencadeou uma onda de cancelamentos em agências e meios de hospedagem. Relatos de agentes turísticos apontam que novembro já figura entre os piores meses da década e que o novo custo foi decisivo para desistências em massa. Empresários afirmam que famílias e grupos — incluindo um caso citado de uma reserva de sete pessoas — optaram por cancelar viagens diante da cobrança inesperada.
Argumentos jurídicos e controvérsias
Juristas consultados pelo setor destacam que a cobrança pode enfrentar questionamentos por inconstitucionalidade, já que, segundo entendimento recorrente, taxas públicas exigem a prestação de um serviço específico ao contribuinte. A tese é a mesma que derrubou tributos similares em outros municípios: cobrar apenas pela permanência na cidade, sem contraprestação direta, pode ser ilegal.
Suspeitas e contexto da Operação Águas Turvas
A resistência popular é agravada pelo contexto recente de investigações que apontaram desvio de R$ 4,3 milhões em contratos e esquemas de fraude em licitações desde 2021. Para críticos, a taxa turística de Bonito soa como tentativa de recompor cofres públicos afetados por má gestão, e a falta de transparência sobre a destinação dos recursos amplia a desconfiança.
Impacto econômico e ambiental
O trade local argumenta que a taxa fragiliza o perfil de turismo de massa moderado e familiar que sustenta a economia local, favorecendo uma elitização do destino. Ambientalistas e empresários também criticam a prioridade seletiva: enquanto o turista é taxado, reclamam insuficiência de medidas de fiscalização contra desmatamento e drenagem de banhados realizados por atividades agrícolas, apontados como fatores que comprometem a qualidade das águas.
Mobilização e próximos passos
Em reação, associação de turismo, comerciantes e moradores convocam pressão sobre o Legislativo municipal para exigir transparência, auditoria das contas e revogação da TCA. Há ainda movimento de realocação de roteiros para municípios vizinhos como Jardim e Bodoquena, o que pode redistribuir impacto econômico na região se a situação não se acomodar.
A evolução do tema dependerá de decisões jurídicas e políticas nos próximos dias, assim como da capacidade do Executivo de detalhar mecanismos claros de aplicação dos recursos e de restaurar a confiança do público e do setor turístico.







