NA RESSACA DE ESCÂNDALO HISTÓRICO, TJMS ESCOLHE NOVA DEUSA PARA ESCULTURA DO FÓRUM DA CAPITAL

TJMS ESCOLHE NOVA ESCULTURA DE DEUSA TUPI-GUARANI NO FÓRUM DA CAPITAL

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) acaba de anunciar os vencedores de um concorrido concurso cultural, que tem como objetivo a criação de uma nova escultura a ser instalada na entrada dos plenários do Tribunal do Júri, no Fórum de Campo Grande. Esta iniciativa surge em um momento crucial para a justiça do estado, especialmente após um período conturbado que chamou a atenção de toda a sociedade. As obras escolhidas não apenas refletem a busca por simbolizar a Justiça, mas também incorporam elementos ricos da cultura e da identidade regional sul-mato-grossense.

Lançado em 21 de maio do ano passado, o concurso contou com a participação de 13 artistas, cada um deles apresentando propostas que buscavam transmitir os valores fundamentais do Direito e da Justiça. O evento acontece em um cenário em que o TJMS foi alvo de investigações da Polícia Federal, que culminaram na Operação Ultima Ratio. Esta operação resultou no afastamento de cinco desembargadores, envolvidos em crimes graves como venda de sentenças, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Esse episódio é considerado um dos maiores escândalos da história da Justiça do estado e, conforme a repercussão dos fatos, reforça a importância da transparência nas ações judiciais.

A escultura que irá substituir a antiga representação da Deusa Têmis, a deusa grega da justiça, instalada em 2002 e criada pelo artista Cleir, era a espera de um novo significado. A nova obra não apenas terá um valor estético, mas carrega a missão de representar a revitalização do conceito de justiça em um contexto que transita por altos e baixos políticos e sociais.

“A avaliação foi realizada com base na originalidade e na capacidade de traduzir os valores da Justiça em uma linguagem artística”, afirma o comunicado do tribunal. Os prêmios do concurso variam entre R$ 50 mil e R$ 15 mil, com o valor estimado da nova obra alcançando impressionantes R$ 300 mil.

O grande vencedor do concurso foi o artista Victor Harabura de Freitas, com sua obra intitulada “Parajás”. A escultura, mede cerca de 1,90m de altura, 4,50m de largura e 1,15m de profundidade, com um peso estimado de 288kg. Feita de chapas de aço corten, “Parajás” integra simbolismo e contemporaneidade, unindo a sabedoria da Deusa da Justiça com sutilidades indígenas, refletindo a honra, o bem e a justiça, características associadas à deusa Tupi-Guarani. O artista fará jus a um prêmio de R$ 50 mil, além da oportunidade de executar a obra, que será supervisionada pela administração do TJMS.

Em segundo lugar, a marca “Justiça flui como as Águas”, criada por Marcos Roberto Ferreira de Rezende, conquistou o júri. Esta peça, que será feita em aço inox e apresenta dimensões de 2,00m de altura, 4,20m de largura e 1,21m de profundidade, pretende estabelecer um elo entre a justiça e a natureza, ressaltando a importância da água para a região de Mato Grosso do Sul. O autor levará um prêmio de R$ 30 mil.

O terceiro lugar foi atribuído a Danilo Andrade Freitas, que apresentou uma escultura ainda sem nome definido. Esta obra, de dimensões 1,50m x 2,20m x 1,10m e feita de latão, representa a conexão entre os povos indígenas originários e a população atual do estado, utilizando 79 lâminas metálicas que simbolizam os municípios de Mato Grosso do Sul. O autor receberá um prêmio de R$ 15 mil.

O tribunal estabelece que a seleção dos vencedores não garante automaticamente a execução das obras. A instalação acontecerá após a assinatura do contrato, que poderá ocorrer em até 12 meses. Caso o artista vencedor não queira assinar o contrato ou não retire a documentação necessária no prazo, o TJMS tem o direito de chamar os demais classificados, respeitando a ordem de classificação.

Esse concurso, além de promover a arte e a cultura, também serve como um marco na trajetória do TJMS em busca de uma Justiça mais transparente e conectada com a identidade sul-mato-grossense. Com isso, reforça a importância do papel da arte nas transformações sociais e jurídicas do estado. A realização do concurso cultural é um passo adiante para reestabelecer a confiança da população na Justiça e realçar o valor da cultura local em um ambiente de reestruturação.

Fonte: O Jacaré
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